Relatórios e publicações da ASPLANDE do ano de 2026

Relatório de Atividades 2025

Em 2025, a ASPLANDE realizou 218 atividades coletivas, com 7.277 participações, mantendo o impacto direto em cerca de 1.200 mulheres. A pesquisa anual “Vozes do Empreendedorismo Feminino Periférico” indicou que 74,4% dos negócios têm mais de três anos de atividade, evidenciando resiliência, embora mais da metade ainda fature até R$1.000 mensais. O estudo apontou como prioridades para 2026 temas como Marketing Digital, Gestão Financeira e uso de Inteligência Artificial, orientando o planejamento estratégico da organização. Foi concluída a 4ª turma do Ciclo de Aceleração com o Instituto Votorantim e fortalecidas as iniciativas do Fundo Manamano e da Rede Cooperativa “Mulheres em Rede Tecendo a Cooperação”.

O ano foi marcado por expressivo reconhecimento externo: Ana Lúcia (Visão do Bem) venceu o Prêmio cRio ESPM de Economia Criativa; seis empreendedoras foram finalistas regionais do Prêmio Academia Assaí; Priscila Camargo (Bolos da Alice) esteve entre as 10 vencedoras do Prêmio Missão Empreendedora; e Alexsandra Souza (Top Fit Saudáveis) conquistou o TikTok Awards 2025 na categoria “Por um Mundo Melhor”. Na comunicação, destacaram-se o lançamento do 4º volume do e-book “Mulheres que Inspiram”, o novo site institucional e o projeto “Rio em Afeto Criativo”, que produziu um catálogo digital e exposição itinerante com 39 artesãs. O relatório também resgatou a história da fundadora Mara Ferreira e do projeto “Terra de Educar”, origem da metodologia transformadora da ASPLANDE.

Terra de Educar: Cultivando Saberes, colhendo um Futuro Inclusivo

O documento “Terra de Educar” descreve um projeto pioneiro desenvolvido a partir dos anos 1980 na área rural de Paracambi, Rio de Janeiro, idealizado e coordenado pela geógrafa Mara Ferreira. A iniciativa combinou educação, sustentabilidade e desenvolvimento comunitário por meio de duas frentes principais: a Escola Terra de Educar, que oferecia ensino formal integrado à prática agrícola para filhos de pequenos produtores, e o Núcleo de Estudos Rurais (NER), que promovia capacitação técnica, infraestrutura rural, saúde e metodologias de desenvolvimento harmonioso. O projeto também estimulou a criação de redes de cooperação, como a APPRUPA e a UNACOOP, e implementou melhorias como eletrificação rural, construção de estradas e o Mercado do Produtor, reduzindo a dependência de intermediários e aumentando a renda local.

Os depoimentos de integrantes como Sueli Baldez, Margarete Teixeira, Tereza Coni Aguiar e outros destacam o caráter colaborativo, a visão educacional inovadora e o impacto profundo do projeto na vida das comunidades. A atuação interdisciplinar da equipe – incluindo geógrafas, assistentes sociais, agrônomos e engenheiros – permitiu abordagens integradas que iam desde o mapeamento participativo até a implantação de técnicas agroecológicas. Um dos legados mais significativos foi a criação da metodologia de Desenvolvimento Integral e Harmônico, que posteriormente deu origem à ASPLANDE, organização que ampliou essa atuação para o empreendedorismo feminino nas periferias.

O projeto gerou impactos transformadores duradouros, como a capacitação de produtores, a integração entre educação e sustentabilidade, o fortalecimento econômico local, a formação de redes cooperativas e a elevação da consciência ambiental. Essas conquistas não apenas modernizaram a área rural de Paracambi, mas também estabeleceram as bases para a atuação futura da ASPLANDE, reforçando o compromisso com a inclusão, a autonomia e o desenvolvimento comunitário a partir de uma visão integral e participativa.

Vozes do
Empreendedorismo
Feminino Periférico
2025

O relatório “Vozes do Empreendedorismo Feminino Periférico 2025”, baseado na escuta anual realizada pela Rede ASPLANDE com 121 empreendedoras, revela um cenário de maturidade e resiliência dos negócios liderados por mulheres, com 74,4% atuando há mais de três anos. No entanto, a maioria enfrenta fragilidade financeira, com mais da metade faturando até R$ 1.000 mensais, e evidencia baixa ocorrência de parcerias comerciais (56,2% não possuem) e dificuldades de acesso a crédito, apontando para a necessidade de estratégias de fortalecimento econômico, mediação institucional e fomento a redes de cooperação.

No aspecto de empoderamento feminino e social, os dados destacam impactos positivos significativos: 66,9% das participantes relatam aumento da autoestima e autoconfiança, e a maioria demonstra alta autonomia na gestão dos negócios. Além disso, as empreendedoras percebem suas atividades como contribuintes para a redução das desigualdades de gênero, reforçando o papel da ASPLANDE como agente de transformação social. A sustentabilidade socioambiental também se mostra marcante, com práticas como uso de materiais reciclados e embalagens sustentáveis sendo amplamente adotadas, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Para 2026, as demandas prioritárias das empreendedoras incluem capacitação em marketing digital, gestão financeira e uso de inteligência artificial, além de preferência por atividades online para facilitar o acesso. A ASPLANDE deve focar na ampliação de ações de mercado, fortalecimento da educação financeira, estímulo a parcerias e consolidação como referência em negócios de impacto, visando superar as limitações atuais e potencializar os resultados já alcançados em termos de empoderamento, sustentabilidade e permanência dos negócios.