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  • Basta à Violência Doméstica

    Por Kate Gonçalves

    O Projeto Basta à Violência Doméstica, uma iniciativa da Asplande em parceria com a Ultragaz, capacitou 50 empreendedoras para atuarem como Embaixadoras dos Direitos das Mulheres em seus territórios. O final do projeto culminou na produção da Cartilha Digital Resistência, Luta e Conquista de Direitos no Brasil e uma Coleção de produtos artesanais com o tema Não à Violência.

    A Formação

    A formação das 50 Embaixadoras dos Direitos das Mulheres foi realizada em duas turmas online, com muito envolvimento e participação por parte das empreendedoras. Luciene Medeiros apontou que, para discutir violência, é necessário entender a história da formação da sociedade brasileira e o porquê de continuarmos em uma sociedade marcada pela violência contra a mulher.

    Na segunda aula, Sandra Schwarzstein forneceu “às mulheres participantes subsídios que permitiram aprender o que foi e o que tem sido a trajetória de emancipação de mulheres dos mais diversos segmentos sociais”. Adriana Mota chamou atenção para o fato de que não podemos mais pensar que “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, pois existem vários tipos de violência contra a mulher e um ciclo nessa violência. Na última aula, Luciano França trabalhou o tema sobre o envolvimento de homens no processo de gênero.

    Vozes das Participantes

    Para as participantes, o processo foi muito positivo. Veja alguns depoimentos:

    “Tem gente que pensa que violência é só bater, mas existem outros tipos de violência.” — Ana Claudia Neves

    “Ser embaixadora sobre os direitos da mulher no meu município vai me capacitar para ajudar as mulheres.” — Iraci Ribeiro

    “O processo foi muito bom para fortalecer o nosso grupo de artesãs, nos tornou mais unidas.” — Ana Felix

    “Aprender sobre tudo isso me fez repensar e me recolocar, não só como mulher, mas como pessoa.” — Cláudia Regina

    “É importante poder ajudar outras mulheres que estão na situação que eu já passei, e infelizmente a desinformação sobre abuso contra a mulher ainda é muito grande.” — Adriana Rodrigues

    “Existe sempre uma forma de ajudar, e é possível mudar essa estatística tão triste.” — Joana Darc

    “Esse processo foi muito bom, pois estou aprendendo a lidar com o assunto e quero espalhar o meu conhecimento.” — Georgina Braga

    Construção Coletiva

    A criação e produção da Coleção de produtos artesanais e da Cartilha Digital foi fruto de uma construção coletiva entre as participantes e a equipe dedicada ao projeto.

    “Foi um desafio participar desse projeto, e também maravilhoso. Gratidão imensa pelos professores que nos ensinaram sobre o papel da mulher e do homem nessa luta, e às artesãs super talentosas que me permitiram com tanto carinho trazer conceitos de Design”, afirma a professora e designer Layla Lima.

    Coordenação

    Regina Fontes, da equipe de coordenação do Projeto, fala com muito orgulho de fazer parte de uma instituição voltada para a mulher, que acolhe todas e as ajuda a vencer barreiras. Ela aponta para o fato de que as mulheres precisam se unir e dar o seu grito de liberdade.

    “Como mulher, mãe, avó e empreendedora, me sinto muito orgulhosa de participar desse projeto onde posso ajudar outras mulheres”, conclui Regina.

     

  • Quem faz o Sabores do Rio

    Conheça a trajetória de quatro mulheres guerreiras que integram o projeto

    Por Letícia Fernandes

    Conheça a trajetória de quatro mulheres guerreiras que integram o projeto.

    O projeto Sabores do Rio, da ASPLANDE, surgiu para democratizar o acesso a conhecimentos necessários para que as nossas empreendedoras desenvolvam habilidades importantes para a consolidação de seus negócios, como: precificação, planejamento financeiro, estratégia de divulgação, embalagens, entre outros. Mas a essência de todo o trabalho, claro, é o talento na cozinha.

    Talento esse que é desenvolvido ao longo de toda a vida, passado, muitas vezes, de mãe para filha, e que se torna ofício por necessidade. Elaine, Luana, Maria José e Thainá seguiram por esse caminho. Hoje, são empreendedoras na Baixada Fluminense que têm em comum o Sabores do Rio e a mão boa para fazer delícias na cozinha.

    Delice d’Nanys

    Elaine Basto, de 46 anos, é professora de formação, mas, devido a um problema de saúde, afastou-se das salas de aula em 2017 e passou a se dedicar à cozinha. Com a Delice d’Nanys, faz doces e bolos para festa sob encomenda, na Zona Norte do Rio de Janeiro, em Marechal Hermes.

    “Acho muito gratificante participar de momentos especiais da vida das pessoas através das encomendas de doces”, afirma.

    A paixão pela cozinha surgiu ainda pequena, observando e aprendendo com a mãe. Ela também já foi proprietária de uma padaria com seu ex-esposo. Desde o seu problema de saúde, começou a fazer cursos e se profissionalizar no ramo de doces. Agora é empreendedora com a Delice d’Nanys e, com o namorado, tem uma barraca de doces em Nova Iguaçu. O Sabores do Rio foi um pontapé importante para ela se sentir mais segura com o empreendimento na parte de vendas.

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Delícias da Lu

“Sem falsas modéstias, cozinhas é o meu dom”, afirma Luana Vieira de Andrade, de 39 anos, idealizadora do Delícias da Lu. Luana começou a se aventurar na cozinha para fazer as festinhas de aniversário do filho de 13 anos e da filha de 10 anos. A

ideia deu tão certo que a empreendedora viu aí uma oportunidade e começou a fazer também encomendas para fora.

Mas, sua relação com a cozinha surge muito antes disso, aos 12 anos Luana assumiu a cozinha de casa enquanto a mãe trabalhava fora, começou fazendo a comida do dia a dia. Seu interesse só crescia, ela sempre aproveitava as férias na casa da avó para aprender mais e mais.

Aos 14 anos fez a sua primeira torta salgada para fora, para um evento da igreja que frequentava. “Eu nem sabia cobrar direito, mesmo assim foi a primeira vez que cozinhei para fora e fui remunerada por isso”.

Luana já trabalhou com muitos ofícios: doméstica, babá, auxiliar de serviços gerais, office girls, camelô, cabeleireira, cozinheira industrial, mas destaca “de tudo que eu já fiz, a minha paixão mesmo sempre foi cozinhar. Isso que me satisfaz, seja como ofício ou hobbie. E sem falsa modéstia, é o meu dom, eu até fiz alguns cursos complementares mais recentemente, mas desde muito nova eu tenho paixão e talento na cozinha.”

Em 2019, com a ASPLANDE e o Sabores do Rio, Luana teve a oportunidade de oficializar o seu negócio e se capacitar ainda mais para alavancar o Delícias da Lu, hoje é do empreendimento que ela tira toda a sua renda, atendendo as regiões de São Gonçalo, Duque de Caxias, Alcântara e Niterói.

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Delícias da Zezé

Empreender cozinhando surgiu da necessidade, mas o ato de cozinhar é cheio de amor. Maria José Moura Duarte, de 56 anos, afirma: “a melhor coisa que eu faço na vida é cozinhar! Eu realmente amo isso”. Seu talento na cozinha começou de pequena: “na minha geração, as meninas já nasciam indo para a cozinha”, conclui.

Com a sua separação, Zezé precisou buscar meios para se sustentar; a saída foi o fogão e as suas panelas. A empreendedora cozinha para fora e também faz artesanatos em toalhas e panos de prato.

Maria José está na ASPLANDE há seis anos. A instituição contribuiu muito para o desenvolvimento de seu negócio, desde a inspiração para fazer a sua feijoada — famosa na premiação anual da ONG, Prêmio Tia Angélica — até questões burocráticas, como a regularização do empreendimento e a precificação dos produtos.

Na Delícias da Zezé, que funciona em Duque de Caxias, é possível encomendar caldos, doces, bolos e, claro, a sua famosa feijoada, carro-chefe de seu negócio.

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Cantinho da Thata

Thainá Batista, de 35 anos, é uma empreendedora versátil. Desde os 19 anos, atua como sacoleira, vendendo roupas e acessórios. Em 2017, deu início ao seu empreendimento de produtos caseiros, como empadas, bolos de pote e serviços de coffee break.

O Sabores do Rio

O projeto Sabores do Rio, da ASPLANDE, tem como objetivo fortalecer mulheres empreendedoras na área da gastronomia. A iniciativa reúne trajetórias de diversas outras mulheres atendidas pelo projeto, assim como Elaine, Luana, Maria José e Thainá.

  • Um Olhar por Cima das Correntes: Luta, Resistência e Conquistas

    Por Lizandra Menezes, Jornalista

    No mês da consciência negra, o portal da rede de mulheres “Construindo Saberes”, da ONG Asplande, reuniu histórias de mulheres pretas como inspiração.

    O Evento

    No dia 25 de novembro, ocorreu um bate-papo com o tema “Um olhar por cima das correntes”, onde um grupo de mulheres pretas compartilhou suas experiências no mercado de trabalho. A transmissão foi realizada pelo canal “Compartilhando Saberes”, com mediação de Ana Lúcia Barbosa (diretora executiva do Visão do Bem) e Regina Fontes (diretora executiva da CreativeEcoart).

    Participaram do debate:

    • Luciane Reis: Diretora executiva da Merc’Afro.
    • Jéssica Raul: Professora doutoranda em Pedagogia na UERJ.
    • Ingrid Reis: Diretora executiva da Espiral Soluções.
    • Katiúcha Watuze: Comunicóloga, cofundadora do Pretaria.Org | Coletivo Pretaria e fundadora do Trabalho de Preto.

    Estrutura do Debate

    A live teve duração de uma hora e meia e foi dividida em duas partes:

    • Primeira parte: Cada convidada detalhou sua trajetória e apontou questões estruturais, como o racismo, que dificultam o acesso da população preta, especialmente mulheres, a universidades e ao mercado de trabalho.
    • Segunda parte: Espaço aberto para perguntas do público.

    Trajetórias das Convidadas

    Luciane Reis

    • Vinda da comunidade de Saramandaia (Salvador/BA), Luciane destacou como a leitura e o conhecimento foram divisores de águas em sua infância.
    • Relatou ter enfrentado o “racismo cru e duro” em processos seletivos, onde a decepção dos recrutadores era visível ao encontrarem uma garota negra e humilde.
    • Aos 18 anos, ingressou na Universidade Católica da Bahia (UCSAL) via pré-vestibular.
    • Sua trajetória incluiu passagens pelo grupo de saúde da Prefeitura Municipal de Salvador, Secretaria Municipal de Reparação e Secretaria Geral da Presidência da República.

    Katiúcha Watuze

    • Enfatizou a importância da força coletiva das mulheres pretas na organização de grupos e frentes de luta no Brasil e no mundo.
    • Citou exemplos como o movimento “Black Lives Matter” e o aumento da representatividade política (citando Kamala Harris).
    • Falou sobre o projeto “Trabalho de Preto”, focado na troca de conhecimentos e contatos, que se fortaleceu online durante a pandemia.
    • Criticou a falta de acesso à internet como política pública séria no Brasil, o que limita o empreendedorismo da população negra.

    Ingrid Reis

    • Fundadora da Espiral Soluções Socioculturais desde 2015, após atuar como consultora e em projetos sociais.
    • Seu trabalho foca em responsabilidade social, economia criativa e sustentabilidade, com ênfase na diversidade (negritude, povos originários, LGBTQIA+ e feminino).
    • Reforçou a importância da multiculturalidade brasileira e o papel da educação e do ativismo como ferramentas essenciais para combater injustiças.

    Jéssica Raul

    • Vinda da comunidade de Acarí (Rio de Janeiro), Jéssica ingressou na UERJ em História pelo sistema de cotas.
    • Militante política, fundou o coletivo “Perifavela Quilombo Organizado” (que depois tornou-se “Fala Acarí”) para discutir violência policial.
    • Emocionou-se ao falar sobre o assassinato do irmão pela polícia.
    • Atualmente trabalha no “Quilombo Escola”, um projeto de reforço escolar com perspectiva racial (educação afro-brasileira e afro-indígena).

    Encerramento

    Após responderem perguntas sobre racismo, posicionamento e religião, as participantes deixaram mensagens de inspiração:

    • Ingrid Reis: Acreditar nos sonhos e correr atrás deles.
    • Katiúcha Watuze: O futuro é preto.
    • Jéssica Raul: Cuidar de si, aceitar opiniões diferentes e fazer uma releitura de si mesma.

    Redes Sociais das Participantes

    • Katiúcha Watuze: @pretacomunicologa, @trabalhodepreto e @coletivopretaria (Instagram).
    • Ingrid Reis: @espiralsolucoes (redes sociais).
    • Jéssica Raul: jraul.prof@gmail.com; “Quilombo Escola” (Google).
  • Sabores do Rio destaca a importância do fomento para nano empreendedores de gastronomia

    O projeto Sabores do Rio, realizado pela Asplande em parceria com o Instituto GPA (Grupo Pão de Açúcar) e a Rede Assaí, apoia o nanoempreendedorismo feminino no setor gastronômico. Ao todo, 60 mulheres moradoras de comunidades do Rio de Janeiro são contempladas com acesso a informações cruciais para o planejamento e crescimento de seus negócios.

    Foco e Capacitação

    As participantes recebem orientações em áreas estratégicas, incluindo:

    • Formação de preço;
    • Desenvolvimento de novos produtos e serviços;
    • Elaboração de Plano de Negócio e Comunicação.

    Por meio de mentorias coletivas e individuais, as empreendedoras adquirem conhecimentos que impulsionam a geração de renda para suas famílias.

    Mentoria Especializada

    O trabalho conta com o apoio de especialistas:

    • Gestão: O mentor Paulo Borges auxilia na parte administrativa e financeira, além de oferecer uma visão geral do negócio, estimulando as participantes a entenderem seu público-alvo, mercado de atuação e oportunidades.
    • Gastronomia: A mentora Maristella Sodré foca na diferenciação dos produtos, incentivando o uso de ingredientes mais saudáveis e a prática da “Gastronomia Sustentável”, com foco no não desperdício e no aproveitamento total dos nutrientes.

    Adaptação e Desafios

    Além da formação, o projeto apoia a criação de identidade visual, gestão de redes sociais, materiais de divulgação e compra de insumos. Devido à pandemia de Covid-19, o projeto foi reformulado:

    • As mentorias passaram a ser virtuais.
    • Os estabelecimentos foram incentivados a adotar serviços de delivery colaborativo.
    • O programa incluiu temas como Marketing Digital, Design Thinking e planejamento estratégico para refletir sobre os novos caminhos para o futuro.

    Vozes das Participantes

    • Marilda Martins: Relata que o projeto foi um divisor de águas, permitindo que ela se formalizasse como empreendedora e aperfeiçoasse sua atuação.
    • Denair Catarina: Destaca a importância da rede de apoio e a possibilidade de continuar trabalhando mesmo durante o período de isolamento social.
    • Sara Ferreira: Ressalta que a troca de vivências com outras mulheres, que enfrentam desafios similares de gênero e questões socioeconômicas, é um dos maiores benefícios. “Os aprendizados adquiridos nos ajudam a andarmos com nossas próprias pernas no futuro”, conclui.

    Para mais informações sobre o projeto Sabores do Rio, visite o site: www.saboresdorio.org.br.

  • Fundo Brasil Alemanha ajuda empreendedoras a turbinar o negócio durante a pandemia

    Por Mariana Lima

    A solidariedade e o desejo de incentivar o empreendedorismo motivaram um grupo de amigos alemães a investir no desenvolvimento de projetos de 22 mulheres da Zona Oeste e da Baixada Fluminense. O “Fundo Brasil Alemanha” foi organizado por Eva Kirmes, ex-estagiária da Asplande, que conheceu de perto o trabalho das empreendedoras no início deste ano.

    A ideia de criar um capital semente surgiu quando Eva acompanhava as notícias sobre o agravamento da pandemia do novo coronavírus no Brasil. Segundo a idealizadora, a desigualdade entre os dois países era muito clara; embora soubesse que na Alemanha também havia pessoas em situação difícil, a maioria dos alemães continuou recebendo seus salários, uma realidade diferente da brasileira. Ao todo, 47 amigos e familiares de Eva participaram da criação do Fundo.

    Exemplos de Transformação

    O resultado da campanha ajudou empreendedoras a continuarem desenvolvendo seus produtos:

    • Germana Alves (41 anos, Vila da Penha): Usou os R$ 500 que recebeu de capital semente para comprar materiais como tecidos e essências. O investimento resultou na criação de uma nova coleção de bonecas de pano chamada “Afeto”, inspirada no período de isolamento social.
    • Eliane Borde (59 anos, Nilópolis): Aproveitou o investimento para lançar uma linha de peças para bebê, comprando tecidos e aviamentos para confeccionar as roupinhas. Eliane explica que o fundo permitiu encontrar uma alternativa, já que o público para vendas em feiras e eventos estava restrito.
    • Rivani Rodrigues (37 anos, Santa Cruz): Utilizou o investimento para turbinar seu negócio de massas de pastéis e salgados. O recurso a ajudou a desenvolver uma receita de massa integral e a consertar um fogão industrial usado para fritar os produtos. Para ela, o gesto trouxe uma nova motivação e alegria, indo além do valor financeiro.

    Perspectivas Futuras

    O resultado superou as expectativas dos investidores, que esperam poder criar um novo fundo dentro de alguns meses. Para Eva Kirmes, a expectativa é que outras pessoas que conhecem o Brasil se inspirem a criar iniciativas semelhantes em seus próprios países.

    “Eu vejo o futuro de trocas e ações entre a Asplande e seus estagiários estrangeiros de forma positiva. Muitas pessoas não conhecem o que acontece fora dos seus países e, quando há esse contato com o exterior, entendem as necessidades do próximo. Espero que, assim como eu, outras pessoas tenham esse tipo de iniciativa”, diz Eva.

  • ManaMano: Uma Resposta Rápida e Coletiva à Crise Econômica da Pandemia

    A recessão causada pela pandemia da Covid-19 gerou graves consequências para pequenos empreendedores e trabalhadores do mercado informal. Com o isolamento social, muitos negócios foram forçados a fechar ou tiveram suas rendas drasticamente reduzidas, enfrentando grandes dificuldades para acessar crédito emergencial.

    O que é o Fundo ManaMano

    Voltado ao fortalecimento de nano e microempreendedores situados em regiões periféricas do Rio de Janeiro, o Fundo ManaMano é uma parceria entre instituições Fellows da Ashoka (Asplande, Saúde Criança, Luta pela Paz, Gastromotiva) e a UFRJ.

    O objetivo é promover o resgate da autonomia e do protagonismo de famílias em situação de vulnerabilidade, oferecendo apoio financeiro e um programa de acompanhamento e formação.

    • Público-alvo: Nano e microempreendedores de periferia (formais e informais).
    • Capacidade (Fase 1): Até 700 empreendedores beneficiados, com duração estimada de um ano.
    • Diferencial: Não promove apenas o apoio financeiro, mas fomenta uma rede de desenvolvimento de negócios ancorada no saber acadêmico da UFRJ e na expertise das organizações envolvidas.

    Como Funciona

    O processo de seleção compreende o preenchimento de um questionário e a apresentação de uma proposta por vídeo.

    1. Formação: Os selecionados passam por atividades de desenvolvimento e modelagem de negócios, além de cursos temáticos.
    2. Mentoria: Durante três meses (renováveis por mais três), os beneficiários recebem acompanhamento através de mentorias coletivas com professores, estudantes da UFRJ e empreendedores sociais, além do suporte das equipes técnicas das ONGs.
    3. Investimento: Cada empreendedor recebe R$ 2.500,00, destinados à compra de insumos, equipamentos e acesso à internet.

    Para mais informações e acompanhamento do edital, acesse: www.manamano.org.br.

    Apoie o Fundo ManaMano

    Investir no Fundo ManaMano é apoiar o empreendedorismo e a autonomia de famílias em vulnerabilidade social.

    Como doar:

    • Cartão de crédito ou boleto bancário: Link de doação da Saúde Criança
    • Transferência Bancária:
      • Banco: Banco do Brasil
      • Agência: 3519
      • Conta Corrente: 25838-5
      • Favorecido: Associação Saúde Criança Renascer
      • CNPJ: 40.358.848/0001-01
  • Parcerias que fortalecem, conectam e transformam

    Parcerias da Asplande

    Em meio a um cenário de tantas incertezas, a convicção de que a soma de esforços nos fortalece e pode nos levar muito além permanece. Nesse sentido, a Asplande vem estreitando algumas parcerias firmadas em 2019 e que, neste ano, mostram-se ainda mais relevantes para a amplificação e consolidação das ações desenvolvidas pela ONG.

    Embora proporcionem atividades diversificadas, essas parcerias visam a objetivos que se complementam: incentivar a cultura empreendedora, mitigar as desigualdades sociais e fomentar negócios que fazem a diferença na sociedade, ao mesmo tempo em que geram resultado financeiro positivo, de forma sustentável.

    Firgun

    Com o propósito de facilitar o acesso ao microcrédito para empreendedores de baixa renda e, desta forma, ajudar a combater a desigualdade social no Brasil, a Firgun é uma plataforma de investimentos coletivos que conecta microempreendedores e pessoas dispostas a investir. Os heróis – como são chamados esses investidores – têm a oportunidade de conhecer a história de cada empreendedor e saber de que forma o dinheiro será utilizado. Os recursos são captados de forma coletiva e, após um prazo estipulado, aqueles que tomaram empréstimo devem devolver o dinheiro a seus apoiadores, em parcelas mensais – em alguns casos, com rendimentos.

    Aos heróis cabe a decisão de sacar o reembolso ou utilizá-lo para apoiar novos projetos. “A grande maioria reinveste seu saldo. O retorno tem sido muito positivo para os investidores. Fechamos 2019 com uma inadimplência menor que 1%”, conta Lemuel Simis, co-fundador e diretor de comunicação da Firgun. Ele explica que um dos diferenciais da plataforma é o atendimento a empreendedores em situações que dificultariam ou mesmo inviabilizariam um empréstimo tradicional em bancos comerciais, como negócios informais, nome negativado, falta de garantias ou de avalistas. “Nós facilitamos o acesso ao crédito, de forma mais barata, e simplificamos a burocracia”, afirma. Neste ano, ao perceber o aumento da procura por empréstimos mediante a crise econômica acarretada pela pandemia do novo coronavírus, a equipe criou o Fundo Periferia Empreendedora, composto por doações de pessoas físicas e jurídicas. Esta é mais uma forma de acesso ao crédito pela Firgun, para além da plataforma de empréstimos coletivos.

    Para que os empreendedores tenham acesso ao crédito é necessário que possuam conta bancária e que seus negócios estejam em atividade por pelo menos um ano, além de serem apoiados por alguma das organizações parceiras da Firgun, como a Asplande. Um fluxo de caixa, que demonstre as movimentações financeiras realizadas, também é solicitado. Tudo é avaliado com cuidado, a fim de que o empréstimo não se transforme em mais uma dívida para aquele que o solicita. A secretária executiva da Asplande, Dayse Valença, destaca a importância do acesso ao microcrédito pelas empreendedoras, já que este serviço não integra o escopo de atividades desenvolvidas pela ONG. Ela cita ainda a vantagem de o processo ser praticamente uma capacitação: “A empreendedora reflete se realmente necessita do que está pedindo, se precisa de um pouco mais, e ainda, se tem capacidade de pagar. Esse exercício é muito interessante, pois é preciso dizer, também, de que forma os recursos serão usados”.

    Até o momento, 12 empreendedoras apoiadas pela ONG estão com seus pedidos em processo de análise e quatro já receberam recursos pela Firgun. A costureira e artesã Belísia Nunes é uma delas. Moradora de Santa Cruz, ela é proprietária do Belísia Fashion, que produz acessórios femininos bastante criativos, como bolsas que viram canga e carteiras que se transformam em sacolas, seu carro-chefe. Atenta às questões de sustentabilidade, ela também confecciona produtos feitos de materiais reutilizados. “Sou a rainha da sucata”, brinca Belísia, que a partir de sombrinhas quebradas, ou mesmo caixas de leite longa-vida (incluindo o papelão e o plástico que envolvem os fardos) cria bolsas multiuso, necessaires, toucas, ganchos, bandejas, lixeira para carro, entre outras peças. “Vou juntando material para confecção dos produtos e, ao mesmo tempo, conscientizando as pessoas a terem um novo olhar para o meio ambiente”, conta.

    O empréstimo na Firgun, entretanto, permitirá que ela possa ir além de contribuir com questões ambientais: a empreendedora deseja criar um espaço de convívio para auxiliar o empoderamento de outras mulheres da comunidade, com aulas de corte e costura. O sonho precisou ser adiado temporariamente devido à pandemia, mas com os recursos obtidos, ela já conseguiu realizar a manutenção de suas máquinas de costura e adquirir insumos necessários para a produção.

    Rio de Impacto

    Criado em 2016, o Rio de Impacto reúne instituições intermediárias que fomentam políticas de apoio aos negócios de impacto socioambiental (NIS), conectando e apoiando a aproximação entre investidores, doadores e gestores de empreendedores e negócios inovadores que geram impacto social e ambiental. Compõem a rede, atualmente, 16 entidades: PUC-Rio, Universidade Santa Úrsula, AbeLlha, Fórum de Desenvolvimento Estratégico do Estado do RJ, Cieds/Shell Iniciativa Jovem, Instituto Ekloos, Faperj, Oi Futuro, Sebrae RJ, Sistema B, Sitawi – Finanças do Bem, Incubadora da Escola de Design (ESDI) da ERJ, Asplande, Ionica, Buriti Consultoria e Colaboradora.

    Ruth Mello, professora do IAG/PUC-Rio e uma das membros fundadoras do Rio de Impacto, explica que uma das missões da rede é apresentar o ecossistema de apoio aos NIS no Estado, de modo que empreendedores sociais saibam que tipo de suporte podem ter, considerando seu setor, instalação, perfil da equipe, nível de maturidade, organização, dentre outros atributos: “Por isso é que atualizamos e publicamos com regularidade nosso Guia do Rio de Impacto, que apresenta os serviços prestados por cada entidade-membro, expondo ainda quais serviços são gratuitos, quais são pagos, qual enfoque e tempo de duração das ofertas”.

    Além de trabalhar na publicização do conceito dos NIS de modo a sensibilizar mais agentes à causa, a rede desempenha relevante papel ao proporcionar a troca de conhecimento visando ao aprimorando das metodologias de apoio aos empreendedores sociais e ao organizar eventos-vitrine para consumidores e investidores, por exemplo. Vem, ainda, colhendo resultados positivos por meio de atuação política que culminou com a tramitação do Projeto de Lei Estadual nº 997/2019, que instituiu a Política Estadual de Investimentos e Negócios de Impacto Social, que encontra-se em fase de regulamentação.

    Para Ruth Mello, a participação da Asplande corrobora para o fortalecimento da rede na medida em que a ONG tem atuado de modo relevante no Estado com o desenvolvimento de empreendimentos e empreendedoras sociais de periferias, que muito contribuem para o crescimento de seus colaboradores, territórios e setores. “Diversos membros do Rio de Impacto já têm relação com a Asplande e sua rica rede de empreendedoras, bastou convidar e legitimar a aderência natural de nossas iniciativas. A Asplande qualifica muito o ecossistema fluminense ao trabalhar com mulheres de periferia em situação vulnerabilidade e exclusão social e vem se juntar a organizações como Cieds, Sebrae e Ekloos, no sentido de garantir mais representatividade no Estado e para endereçar esforços para a parcela mais necessitada de opções imediatas de geração de renda”, destaca.

    Para Dayse Valença, integrar o Rio de Impacto é uma grande oportunidade para que se possa discutir e propor políticas públicas para o Estado do Rio de Janeiro, principalmente neste momento de pandemia e crise econômica. Outra vantagem é o estabelecimento de laços de parceria e de cooperação. “Em setembro, por exemplo, o Sebrae vai fornecer consultorias específicas para empreendedoras que queiram se legalizar como MEI, ou para as que já são legalizadas, mas possuem alguma pendência”, acrescenta.

    Saiba mais

    Conheça mais sobre o trabalho realizado pelos parceiros da Asplande e as formas de acesso aos serviços por eles prestados:

  • Raízes do Rio e o florescimento em meio à pandemia

    Saiba como a ASPLANDE vem trabalhando para capacitar mulheres durante o isolamento social

    Por Paula Félix

    Há quem pense que, em meio a uma pandemia e trabalhando de casa, seja mais difícil fazer a diferença. A ASPLANDE mostra o contrário: mesmo de “home office”, o trabalho não parou. Em tempos tão difíceis, um dos seus maiores objetivos foi pensar em campanhas emergenciais e soluções para a pós-quarentena.

    Desde 1992, ano de sua criação, a ONG vem procurando capacitar empreendedoras de baixa renda do Rio de Janeiro para alcançar o seu maior potencial. Nas circunstâncias atuais, o trabalho passou de presencial para online, por meio de mentorias e formações oferecidas gratuitamente.

    De artesã a empreendedora

    Em 1997, a ASPLANDE inaugurou o Programa Rede Cooperativa de Mulheres Empreendedoras, que busca fortalecer empreendimentos e cooperativas populares relacionados a diferentes atividades e liderados especialmente por mulheres. Até os dias atuais, mais de 700 empreendedoras já foram auxiliadas pelo programa, que envolve os ramos da culinária, artesanato, costura, reciclagem e serviços. Além disso, incentiva a cooperação entre as participantes, oferecendo um espaço para que elas estabeleçam parcerias e troquem conhecimento.

    Foi justamente desse espaço de troca que surgiu o Raízes do Rio, marca que faz parte da Rede Cooperativa de Mulheres Empreendedoras. As artesãs utilizam técnicas e materiais sustentáveis e são guiadas por meio de oficinas e palestras para melhor desenvolver seus empreendimentos, sempre de acordo com o princípio do comércio justo e solidário.

    É o caso de Adriana Rodrigues, artesã de 45 anos e moradora de Nova Iguaçu. Para ela, o auxílio do Raízes do Rio foi essencial para que ela aprendesse a gerir a parte financeira do seu negócio, onde trabalha com biscuit. “A Asplande segura em nossas mãos e nos ensina a caminhar para que possamos buscar nossos próprios caminhos e seguirmos sempre em frente sem medo. Ela nos dá coragem”, conta.

    Ana Claudia Neves também tem muito o que agradecer ao projeto. Ex-catadora do Lixão do Jardim Gramacho, hoje ela é artesã, empreendedora e fundadora do seu próprio negócio, o Criações by Ana. O primeiro contato dela com a ASPLANDE aconteceu quando ela foi convidada a conhecer a organização, durante uma reunião de um coletivo feminista na Baixada Fluminense, Zona Norte do Rio de Janeiro.

    Os carros-chefe do seu trabalho são bolsas exclusivas criadas por ela e chaveiros feministas, uma sugestão da própria equipe da ASPLANDE. Atualmente, são vários os modelos: Frida Kahlo, Malala, Marielle Franco, Tarsila do Amaral, Maria Bonita e outras mulheres inspiradoras.

    O crescimento do negócio “Criações By Ana” e sua jornada de aprendizado como empreendedora trouxeram uma grande oportunidade. Ana Claudia participou do evento TEDx, na Pedra do Sal, como palestrante, e teve a oportunidade de contar sua trajetória, inspirando outras mulheres que também têm o sonho de empreender.

    Mesmo com as atividades presenciais limitadas devido à pandemia, Ana Claudia continua aprendendo online. Sempre presente nas formações e oficinas oferecidas pelo programa de capacitação da ASPLANDE, ela acredita que o conhecimento deve sempre ser passado adiante: “Aprendi a importância de uma logo, como tirar uma boa foto e como postar no Instagram e Facebook… Cada aprendizado que eu tenho eu também passo à frente”.

    As que fazem acontecer

    Manter um projeto como o Raízes do Rio em pleno vapor durante tempos tão incertos é uma missão difícil. Para isso, a ASPLANDE conta com a ajuda de diversos voluntários que trabalham nas mais diferentes áreas.

    • Layla Lima (30 anos): Designer e voluntária no projeto desde outubro de 2019. É responsável pelo Instagram @raizesdorio, que apresenta as artesãs que fazem parte do projeto e seus produtos, contando um pouco da história de cada uma.
    • Luelen Cavalheiro (24 anos): Responsável pelas mídias sociais, ajudando na divulgação do projeto.
    • Paula Félix (24 anos): Responsável pela revisão dos textos e artigos para o site.

    Para Layla, voluntariar é uma experiência gratificante: “Eu amo participar do Raízes, é incrível ver como uma rede de mulheres pode ter tanta força! Eu aprendo muito, nos encontros, nas capacitações, na troca com cada uma delas. Eu só ganho fazendo parte da rede”. Luelen gosta de saber que sua ajuda pode transformar a vida de outras mulheres: “Minha parte preferida é saber que com o conhecimento que tenho posso mudar positivamente a vida dessas mulheres e isso é incrível”.

    O motor da ASPLANDE

    Maria Regina Fontes, de 70 anos, já é uma veterana da ASPLANDE, onde trabalha há vinte anos, e uma das coordenadoras do Raízes. Para ela, o Raízes do Rio é mais do que um grupo de produção, é uma família de mulheres unidas pelo trabalho. “Esse projeto mudou a vida de muitas mulheres e outras ainda mudarão suas vidas através desse sonho que se tornou realidade”, conta a artesã, muito grata pela oportunidade de poder dividir seu conhecimento com as alunas.

    Cris Santana, artesã de 55 anos e moradora de Belford Roxo, faz parte da ASPLANDE desde 2011. Seu papel é auxiliar na organização da área de artesanato e, claro, receber as novas empreendedoras para que elas se sintam acolhidas. Poder observar de perto o crescimento das mulheres é um dos seus maiores orgulhos: “Gosto de perceber o quanto se libertam de amarras e descobrem seu próprio valor, suas capacidades”.

    A ASPLANDE busca não apenas mudar paradigmas e transformar negócios informais em empreendimentos. Seu objetivo é ampliar um pouco mais, a cada dia, essa rede de cooperação, desabrochando os talentos criativos de mulheres, participantes e voluntárias, e transformando sonhos em realidade.

  • Economia Solidária e Perspectivas Femininas na Pandemia

    Asplande promove assessoramento para empreendedoras periféricas através de encontros virtuais

    Por Raquel Cerqueira

    Em um dos momentos mais desafiadores para a economia mundial, a crise de saúde pública causada pela pandemia do novo coronavírus vem acarretando impactos de grandes proporções, deixando milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade e diversos questionamentos têm sido levantados em relação à sobrevivência dos pequenos e médios negócios. Com esse cenário de incertezas, como pequenos produtores conseguirão se reinventar e encontrar alternativas viáveis de lucro para sua subsistência e a de suas famílias?

    Tendo como principal foco um dos braços mais diretamente afetados pela pandemia — mulheres chefes de família —, a Asplande atua desde 1992 na assessoria e acompanhamento de negócios promovidos por empreendedoras de regiões periféricas do Rio de Janeiro. Com o agravamento da crise sanitária, a organização compreendeu a necessidade de ampliar os horizontes e buscar alternativas para seguir integrando suas atividades a esse novo contexto. Assim, desde o dia 17 de março, a organização suspendeu suas atividades presenciais e vem investindo na qualificação das empreendedoras através da promoção de oficinas, palestras temáticas, mentorias coletivas e individuais, agora por meio de videoconferências e das redes sociais.

    Através da promoção de redes de cooperação e projetos de economia solidária, a Asplande dá suporte a cerca de 800 mulheres anualmente. Dentre seus principais programas estão a Rede Cooperativa de Mulheres Empreendedoras da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, criada em 1997, as redes da Baixada Fluminense e da Zona Oeste, a marca Raízes do Rio e o Impacta Mulher — incubadora de negócios sociais de impacto. Todos esses programas promovem formações, conexão em rede, mentoria e fomento.

    Reconhecendo o desafio necessário para integrar todas as participantes a essa nova realidade virtual, que engloba barreiras tecnológicas como o desconhecimento de ferramentas ou mesmo a privação de internet de boa qualidade, a Asplande reforçou seu compromisso em fornecer toda a ajuda necessária para que sua programação siga beneficiando os projetos interessados.

    “Hoje temos mulheres engajadas em todas as atividades que temos realizado virtualmente. Chegamos a uma média de 30 atividades mensais, que vão desde cursos e mentorias até rodas de conversa”, conta Dayse Valença, Secretária Executiva da organização, que já prevê transformações no andamento do projeto pós-pandemia, mesclando encontros presenciais e atividades online.

    Além do seguimento das mentorias individuais e coletivas, alguns dos diálogos temáticos e atividades de formação oferecidos nesses meses foram: gestão financeira, plano de negócios, Design Thinking, alimentação funcional, gestão de redes sociais e aulas de inglês.

    Novas Perspectivas

    Um dos projetos desenvolvidos pela Asplande e que vem obtendo merecido destaque é o Sabores do Rio. Direcionado para promover a cooperação entre empreendedoras da área da gastronomia, o projeto concentra quituteiras da Zona Oeste e Norte do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense. Em maio deste ano, a Asplande elaborou um catálogo para divulgar o Delivery Colaborativo, com os produtos e serviços das empreendedoras do Sabores do Rio que estão fazendo entregas neste período de pandemia. Até o momento, 70 marcas estão associadas ao projeto.

    Outro projeto em curso pela Asplande será um fundo de auxílio para fomentar o desenvolvimento de produtos a partir de uma abordagem ecológica e sustentável. A iniciativa irá selecionar e incentivar empreendedoras que inscreverem ideias de produtos a serem lançados e que necessitem de um aporte para a fase inicial, alimentando assim a possibilidade de novas fontes de renda e incremento do mercado social para o período pós-pandemia.

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  • Empreendendo durante a pandemia: A força da mulher de negócios

    Em meio ao surto do novo coronavírus, mulheres empreendedoras inovam em suas atividades e promovem auxílio humanitário

    Por: Andrea Garcia

    O Brasil conta atualmente com 24 milhões de mulheres empreendendo. A maioria delas começou pela necessidade de aumentar a renda, alcançar a independência financeira ou como uma medida de combate ao desemprego. Contudo, empreender não é uma tarefa fácil; além dos desafios diários que todo empreendedor precisa lidar, existem obstáculos que as mulheres enfrentam, como o preconceito — menos de 10% das empresas lideradas por mulheres recebem investimento externo — e a dupla jornada. Hoje, elas também precisam encarar mais um impasse: a pandemia gerada pela COVID-19.

    Apesar do grande abalo econômico ocasionado, a equipe que compõe a Rede Impacta Mulher vem desenvolvendo seu trabalho. A iniciativa surgiu através da parceria entre a ONG Asplande e a cocriadora do programa, Jiselle Steele, e reúne cerca de setenta empreendedoras. “Estamos focadas em engajar principalmente mulheres afro-brasileiras de grupos marginalizados que combatem o preconceito de gênero, raça e classe social”, explica Jiselle. Além do trabalho com a Asplande, ela é também gestora de projetos na SocialStarters, uma empresa social britânica que apoia empreendedores sociais para aumentar seu impacto e sustentabilidade ao redor do mundo.

    Conheça algumas dessas trajetórias:

    • Ana Lúcia Santos: A advogada juntou sua experiência profissional, sua vontade de empreender e o desejo de fazer a diferença para dar início ao seu negócio. Sua missão é possibilitar o acesso à consulta oftalmológica e à compra de óculos a preços acessíveis para pessoas de baixa renda. “Tenho dentro da família históricos relacionados a problemas de visão e sei como é importante e caro ter uma boa saúde visual. […] Não queria ser mais uma a só reclamar, e foi então que surgiu o Negócio Social Visão do Bem.”
    • Cyntia Matos: Pensando na importância do conhecimento dos direitos do público feminino, a pedagoga criou o Entrelaços: Costurando histórias, memórias e afetos. “Meu trabalho é focado no empreendedorismo feminino em áreas periféricas do Rio de Janeiro, escolas públicas e favelas da Baixada Fluminense. A ideia de empreender surgiu pela necessidade de trocar informações com as mulheres sobre pertencimento local, empoderamento comunitário, feminicídio, entre outros. Possibilitando assim, que elas conheçam os seus direitos como cidadãs e cobrem as autoridades.”
    • Maria Regina Fontes: A artesã revela que transformou sua dor em arte e, a partir da descoberta desse dom, iniciou seu caminho no empreendedorismo. Além de fazer a diferença na vida de outras mulheres, ela também é coordenadora do programa Raízes do Rio. “Através desse projeto eu posso mostrar a elas como desenvolver um serviço qualificado que gere renda e bons produtos, os quais elas poderão vender a preços justos.”

    Elas em Ação

    É certo que a economia brasileira sofreu impactos significativos devido ao novo coronavírus, e a classe que empreende também sentiu fortemente o reflexo desta crise. Para sobreviver em meio ao caos, reinventar, adaptar e remodelar fizeram parte das ações necessárias.

    • Adaptação Virtual: A gestora Jiselle declara que as atividades do Impacta Mulher aconteceram de forma virtual. “As nossas palestras e rodas de conversas foram todas realizadas online. Nós também temos um grupo no WhatsApp com mais de cem empreendedoras engajadas, e pudemos continuar compartilhando informações e as encorajando por lá.”
    • Auxílio Humanitário: A educadora Cyntia Matos conta que adaptou suas rodas presenciais: “as escutas agora são feitas por telefone e mensagens. Conseguimos também uma parceria com uma psicóloga”. Além disso, o grupo está doando cestas básicas, kits de limpeza e higiene, confeccionando cartinhas solidárias para idosos que não podem sair de casa e produzindo sapatinhos de lã e crochê para doação.
    • Segmentos afetados: Para a empresária Ana Lúcia, a adaptação foi complicada, pois seu trabalho de vendas de óculos era feito porta a porta. “O faturamento caiu de forma assustadora. Todos estavam com medo de sair de casa.” Apenas com a flexibilização ela começou a retomar os atendimentos, ainda que abaixo das expectativas.
    • Novas perspectivas: A coordenadora Maria Regina afirma que as artesãs do Raízes do Rio começaram a fabricar máscaras, não parando de produzir durante a quarentena. “Mudanças também foram necessárias, como trabalhar através das lives. Isso foi ótimo, pois o coletivo não estava sozinho, adquirimos mais aprendizados e abrimos novos horizontes.”

    Lições da Pandemia

    As crises podem ser vistas também como oportunidades e ensinamentos. A partir dessa dificuldade mundial, essas mulheres sobreviveram, aprenderam, se reposicionaram e não desistiram.

    “Somente a solidariedade e colaboração permitiram que nosso trabalho fosse realizado. Todas as parcerias feitas nos auxiliaram a garantir a dignidade humana”, relata Cyntia.

    Ana Lúcia aponta a importância da rigidez na higiene pessoal e coletiva. No que diz respeito aos negócios, ela enfatiza: ter sempre uma reserva financeira, manter os clientes sempre informados, contar com uma equipe bem capacitada, utilizar as redes sociais e criar plataformas de vendas online.