Por Lizandra Menezes, Jornalista
No mês da consciência negra, o portal da rede de mulheres “Construindo Saberes”, da ONG Asplande, reuniu histórias de mulheres pretas como inspiração.
O Evento
No dia 25 de novembro, ocorreu um bate-papo com o tema “Um olhar por cima das correntes”, onde um grupo de mulheres pretas compartilhou suas experiências no mercado de trabalho. A transmissão foi realizada pelo canal “Compartilhando Saberes”, com mediação de Ana Lúcia Barbosa (diretora executiva do Visão do Bem) e Regina Fontes (diretora executiva da CreativeEcoart).
Participaram do debate:
- Luciane Reis: Diretora executiva da Merc’Afro.
- Jéssica Raul: Professora doutoranda em Pedagogia na UERJ.
- Ingrid Reis: Diretora executiva da Espiral Soluções.
- Katiúcha Watuze: Comunicóloga, cofundadora do Pretaria.Org | Coletivo Pretaria e fundadora do Trabalho de Preto.
Estrutura do Debate
A live teve duração de uma hora e meia e foi dividida em duas partes:
- Primeira parte: Cada convidada detalhou sua trajetória e apontou questões estruturais, como o racismo, que dificultam o acesso da população preta, especialmente mulheres, a universidades e ao mercado de trabalho.
- Segunda parte: Espaço aberto para perguntas do público.
Trajetórias das Convidadas
Luciane Reis
- Vinda da comunidade de Saramandaia (Salvador/BA), Luciane destacou como a leitura e o conhecimento foram divisores de águas em sua infância.
- Relatou ter enfrentado o “racismo cru e duro” em processos seletivos, onde a decepção dos recrutadores era visível ao encontrarem uma garota negra e humilde.
- Aos 18 anos, ingressou na Universidade Católica da Bahia (UCSAL) via pré-vestibular.
- Sua trajetória incluiu passagens pelo grupo de saúde da Prefeitura Municipal de Salvador, Secretaria Municipal de Reparação e Secretaria Geral da Presidência da República.
Katiúcha Watuze
- Enfatizou a importância da força coletiva das mulheres pretas na organização de grupos e frentes de luta no Brasil e no mundo.
- Citou exemplos como o movimento “Black Lives Matter” e o aumento da representatividade política (citando Kamala Harris).
- Falou sobre o projeto “Trabalho de Preto”, focado na troca de conhecimentos e contatos, que se fortaleceu online durante a pandemia.
- Criticou a falta de acesso à internet como política pública séria no Brasil, o que limita o empreendedorismo da população negra.
Ingrid Reis
- Fundadora da Espiral Soluções Socioculturais desde 2015, após atuar como consultora e em projetos sociais.
- Seu trabalho foca em responsabilidade social, economia criativa e sustentabilidade, com ênfase na diversidade (negritude, povos originários, LGBTQIA+ e feminino).
- Reforçou a importância da multiculturalidade brasileira e o papel da educação e do ativismo como ferramentas essenciais para combater injustiças.
Jéssica Raul
- Vinda da comunidade de Acarí (Rio de Janeiro), Jéssica ingressou na UERJ em História pelo sistema de cotas.
- Militante política, fundou o coletivo “Perifavela Quilombo Organizado” (que depois tornou-se “Fala Acarí”) para discutir violência policial.
- Emocionou-se ao falar sobre o assassinato do irmão pela polícia.
- Atualmente trabalha no “Quilombo Escola”, um projeto de reforço escolar com perspectiva racial (educação afro-brasileira e afro-indígena).
Encerramento
Após responderem perguntas sobre racismo, posicionamento e religião, as participantes deixaram mensagens de inspiração:
- Ingrid Reis: Acreditar nos sonhos e correr atrás deles.
- Katiúcha Watuze: O futuro é preto.
- Jéssica Raul: Cuidar de si, aceitar opiniões diferentes e fazer uma releitura de si mesma.
Redes Sociais das Participantes
- Katiúcha Watuze: @pretacomunicologa, @trabalhodepreto e @coletivopretaria (Instagram).
- Ingrid Reis: @espiralsolucoes (redes sociais).
- Jéssica Raul: jraul.prof@gmail.com; “Quilombo Escola” (Google).
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